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Segunda-feira, 16 de Março de 2009
Título: Lisboa que amanhece
Intérprete: Sérgio Godinho
Álbum: Na vida real
Ano: 1987
 
 
Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados de outra dança
A noite finge ser
Ainda uma criança
De olhos na lua
Com a sua
Cegueira da razão e do desejo

A noite é cega e as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse
A mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram

Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece

O Tejo que reflecte o dia à solta
À noite é prisioneiro dos olhares
Ao cais dos miradouros
Vão chegando dos bares
Os navegantes
Amantes
Das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada
Tem que rapar as pernas
Para que o dia
Não traia
Dietrichs que não foram nem Marlenes

Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece

Em sonhos, é sabido, não se morre
Aliás essa é a única vantagem
De, após o vão trabalho
O povo ir de viagem
Ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e venturas

E ai de quem acorda estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
A esse as ansiedades
ditam sentenças friamente ao ouvido 
Ruído
Que a noite o que é bem dela transfigura

Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece
 

Versão original do tema "Lisboa que amanhece", incluída no álbum "Na vida real" de 1987.

 
Título: Lisboa que amanhece
Intérprete: Sérgio Godinho
Álbum: Noites passadas
Ano: 1995
 
 
Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados de outra dança
A noite finge ser
Ainda uma criança
De olhos na lua
Com a sua
Cegueira da razão e do desejo

A noite é cega e as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
Amou como se fosse
A mais indefesa
Princesa
Que as trevas algum dia coroaram

Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece

O Tejo que reflecte o dia à solta
À noite é prisioneiro dos olhares
Ao cais dos miradouros
Vão chegando dos bares
Os navegantes
Amantes
Das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
Que as dádivas da noite são eternas
Mal chega a madrugada
Tem que rapar as pernas
Para que o dia
Não traia
Dietrichs que não foram nem Marlenes

Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece

Em sonhos, é sabido, não se morre
Aliás essa é a única vantagem
De, após o vão trabalho
O povo ir de viagem
Ao sono fundo
Fecundo
Em glórias e terrores e venturas

E ai de quem acorda estremunhado
Espreitando pela fresta a ver se é dia
A esse as ansiedades
ditam sentenças friamente ao ouvido 
Ruído
Que a noite a seu costume transfigura

Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento enfim parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
Na Lisboa que amanhece
 

Em 1995, Sérgio Godinho lança o álbum ao vivo "Noites passadas", onde interpretava o tema sózinho apenas com guitarra, numa versão idêntica à do vídeo apresentado, gravado, igualmente ao vivo, num programa de TV do mesmo ano.

Publicado por Daxe Renal às 14:58