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Domingo, 22 de Março de 2009
Título: Máquina zero
Intérprete: Adelaide Ferreira
Álbum: Guardador de margens
Ano: 1983
 
 
Fui à inspecção
Ao quartel de infantaria
Estava no edital
Da junta de freguesia

Depois de inspeccionado
Deram-me uma guia
Com um carimbo chapado
Dizendo que servia

Ainda argumentei
Disse que não ouvia
Não regulava bem
E que tinha miopia

O capitão mirou-me
No seu ar de comando
E o sargento mandou-me
Um sorriso de malandro

Do bolso tirou
A velha máquina zero
E tugindo gozou
P'ró ano eu cá te espero

Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero...

Um dia na recruta
Fui limpar a latrina
O rancho veio-me à boca
E faltei à faxina

O sargento de dia
Não me deixou impune
Levou-me à companhia
E aplicou-me o RDM

Aqui nada se aprende
Odeio espingardas
Não fui feito para isto
E tenho horror a fardas

Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero...

Não me façam guerreiro
Eu nunca fui audaz
Sou um gajo porreiro
Só quero viver em paz

Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero...

Nunca fiz inimigos
Em nenhum continente
Nao dividam o mundo
Em leste e ocidente

Pactos e alianças
São um bom remédio
Para entreter marechais
E lhes combater o tédio

Pactos e alianças
São um bom remédio
Para entreter marechais
E lhes combater o tédio

Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero ir à máquina zero
Eu não quero...
 

Tema bem disposto do pai do rock português, incluído no álbum "Guardador de margens" de 1983.

Publicado por Daxe Renal às 00:15